quarta-feira, dezembro 31, 2008

Façamos Um Brinde Ao Ano da Crise


Driss espera por si e que você traga o champanhe Raposeira mais doze passas hoje à noite, na Adega Cooperativa de Dois Portos. Haverá vinho carrascão e cassettes do Jorge Rocha & Lipstick para as boas vindas a 2009. Vai ser de partir a moca a rir e não só. Só é preciso que tenha o boletim de vacinas em dia. Faça connosco um brinde ao ano que todos temem. Venha daí!

Vá lá, só até ás 3.

Deve ser fácil de aguentar.

Depois ele vai-se embora.

Sim, ele é muito repentino, uma vez por ano chega-lhe.

Fazem-nos esse favor? Depois das três podem mudar a cassette para o lado B, vai ser mais giro.

Então está bem, lá esperamos por vós.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Bigodes Resistentes

Flávio Murtosa – Ué? Como é meismo? Fazê a capa dum dishco? Sei não, gentchi. Isso é coisa sem jêito…

Henrique Calisto – Tomem lá mais uma chapada de luva branca, vocês que pensavam que ia para o Vietname para acabar como o Christopher Walken no filme “O Caçador! O bigode português continua a ganhar!

Sargentão – Não enchi o saco agora não, tá ouvindo, cara? Vê-si logo que nunca fêiz publicidadji. Qui cara brega, hein?! Vâmu lá, pêssoáu. Cara alegri para a foto.

Rui Caçador – Ena pá!, grande cabedal! Bem, ó Rodrigues, obrigado, pá! Favoreceste-me bué com a tua montagem! Ganda cena! Bem feita, que é para a minha filha não pensar que é a única com um corpinho bom lá por casa

Manuel Machado – A minha pessoa viu-se subtraída de muita da sua eloquente dignidade ao atingir um patamar de ridicularização pública absurdamente patético, fruto da leitura superficial e enviesada que determinados agentes extra-desportivos recorrentemente fazem das minhas idiossincrasias de expressão. Feito este ponto prévio, julgo que chegou o momento de dizer o seguinte: vão todos pró c*****o, por favor.

Mário Nogueira – Como assim, o que é que estou aqui a fazer? Estou aqui a verificar que não há atropelos de liberdades essenciais! Esta montagem tem o seu quê de fascizóide, parece-me óbvio. E tenho ou não tenho bigode? Ah, bom!... Pensei que me iam dizer que não estava qualificado!... Não me enganam assim com duas cantigas!...

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Os Gordos Somos Nós

Quando se associa o adjectivo “gordo” ao substantivo “futebol” surgem normalmente três respostas:

- Rochemback;
- Miguel Veloso;
- A esposa do protector e progenitor de Miguel Veloso, quando grávida deste, a comer pastéis de nata de forma alarve depois de embuchados dez menus Big Mac XL e com o Rochemback às cavalitas, depois deste ter passado três meses no Brasil apenas a comer a gordura da picanha com o mínimo de movimento possível.

Pois bem. Se quanto à última hipótese não subsistem dúvidas relativamente à adiposidade envolvida, pese embora a sua aderência apenas indirecta ao futebol, quanto aos buchas de Alvalade a realidade factual surpreende os mais distraídos.

Segundo a fórmula de cálculo do famoso IMC – Índice de Massa Corporal, Miguel Veloso nem sequer é gordo: com os seus simpáticos 24,4 de IMC, Miguel Veloso é, pasme-se, “normal”. Quem diria. A ciência, porém, não nos deixa mentir.

E Rochemback, de quem esperaríamos no mínimo ter um pneuzinho a mais, a bunda um pouco descaída, uns papos no pescoço ou algo do género, deixa-nos de boca aberta: o brasileiro apresenta uns saudáveis 24,8 e, embora no limiar do excesso de peso, é também um tipo “normal”. Ou seja, a lentidão que é a sua imagem de marca não é consequência da sua massa corporal, mas apenas feitio. E que feitio.

É um pouco mais a norte que encontramos os verdadeiros gordos do futebol indígena. Curiosamente, dois guarda-redes, que bem poderiam ter sido dois guarda-tachos, tal o apetite voraz que os caracteriza.

A temporada 2007/08 do Freamunde iniciou-se sob nuvens pesadas e um ambiente carregado. Os problemas eram notórios e difíceis de depurar. Existia uma concorrência apertada para a baliza e era quase impossível que dois egos tão gigantes como os que são apresentados de seguida não chocassem entre si, de tão desmesurados que eram.

Rui Ribeiro, “el gordo” de Freamunde, devorava amiúde capões inteiros ao pequeno-almoço. Ganhou alguma notoriedade engolindo as bolas mais suculentas que lhe eram rematadas. Tinha ficado uma época quase em jejum de jogos e jejum é coisa que não liga com Rui Ribeiro. Nesta temporada, Rui Ribeiro jurara para si mesmo que iria devorar todas as sandes de leitão que vislumbrasse nos estágios da equipa, decidido a recuperar a seu estatuto. IMC = 27,2. Ou seja, “excesso de peso”.




Porém, Tó Figueira, “el glutón”, não estava pelos ajustes. Proveniente de Famalicão, Tó Figueira botava a mão aos doces conventuais com maior perícia do que botava a mão à bola. Tó Figueira, o terror de qualquer jantar de grupo, absorvia quantidades indescritíveis de alimento, desde doces da casa até presunto de Chaves. Uma vez durante um treino, quase que sorvia Bock de uma só penada, convencido que o notável avançado era mesmo uma cerveja fresquinha. Tó é Figueira porque ingeriu a árvore em vez de andar a escolher os frutos um a um, o que era uma trabalheira. IMC = 28,3. O que significa “excesso de peso”, a caminhar a passos largos para “obesidade grau I”.

A escolha era tão difícil que o técnico Jorge Regadas optou pelo terceiro guarda-redes, deixando estes dois volumosos jogadores a lutar entre si num restaurante qualquer. Então eles decidiram-se por um tira-teimas épico, onde ganharia aquele que mais conseguisse enfardar sem rebentar. Valia tudo, desde comer resíduos de lipoaspiração até antropofagia, excepto comer pacotes de açúcar inteiros.

O aperitivo estava no próprio plantel: o jovem e franzino Artur, uma espécie de Albert Hammond Jr. com algum jeito para a bola. Rui Ribeiro considerou que, com alguma boa vontade, o cabelo do apetitoso Artur assemelhava-se a algodão doce. Já Tó Figueira, deliciado com a qualidade de passe do guedelhudo Artur, afiou os dentes a pensar no delicioso petisco que seriam aquelas pernas e pés.


Para já, Tó Figueira tem alguma vantagem: partiu na pole-position, devorou 3 pratos de cozido à portuguesa, metade da vaca que aparece nos produtos “La Vache Qui Rit” e toda a colecção dos gordurosos frascos de gel do Rui Santos; Rui Ribeiro também vai bem, mas para além dos três quilos de arroz de pato, ainda só comeu dois ou três placards publicitários à volta do campo do Freamunde e está com dificuldades em mascar as partes mais recônditas da sua fritadeira.

Ao pé destes dois, Rochemback e Miguel Veloso são uns meninos, Miguel Veloso de forma literal.

E não podia deixar de abordar o tema Freamunde nem referir Bock sem colocar uma fotografia do mesmo. Bock existe, Bock está aqui, Bock penetra-nos a mente com o seu olhar assassino. Enquanto vocês liam este texto na diagonal, Bock facturou mais um golo.




Feliz Natal e que Rudi esteja convosco.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

O novo Maldini


"Quem sou eu?
Sou o novo Maldini! Um defesa lateral esquerdo à altura do campeonato português.. e por isso, à altura do Mundo. Vim do Varteks.. e depois?
É um grande clube.. um médio clube.. ok, um mediano clube na Croácia.
Estive lá 4 épocas e agora tive o salto da minha vida. Agora só páro no Real Madrid!
E se vim para aqui e o Nuno Valente foi emprestado é porque tenho qualidade! Antevejo que esse Nuno Valente ainda possa ser campeão Europeu, um dia!"
...
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(passados uns meses)
Estou no banco do Sporting? Sei lá porquê! Perguntem ao mister Octávio. Acho que a culpa é do Peixe. Esse cromo que não me deixa subir no terreno. O Pedrosa veio para me fazer concorrência? ó ó.. um tipo que anda aqui só para passear o cabelo..
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(passados uns meses)
Bem, vou mas é dar asas á minha carreira, vou voltar ao Varteks para depois ir parar ao Real ou ao Milan, até porque o Maldini está a ficar velho..
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(passados uns anos, em 2002)
"Bem, é agora. Estamos já no Século XXI e vou assumir o risco.. vou para uma carreira de risco... é isso, vou para Israel, para o Ashod."
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(passados uns anos, em 2005)
"A Grécia é que está a dar.. vou ser observado finalmente! Acho que vou fazer uma grande época europeia, no Chalkida FC. Vou jogar com grandes jogadores. O "Korakakis", o "Zacharopoulos".. o "papam-me todos na defesopóulos".
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(passados uns anos, em 2007)
"Levadiakos, é isso! Devia ter vindo ´logo para cá , em vez de ir para o Sporting em Portugal!
Está lá o Anderson do Ó [o que joga no Setúbal e marcou ao Benfica], o Danilo, o Alex, o Sisic e o Gourma! Com Balajic na defesa, o Levadiakos vai chegar à Europa. Finalmente vão poder que ver o que o verdadeiro Maldini sou eu!!"
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(2008)
"Bem, anda tudo cego... vou para casa. Vou retornar ao Varteks FC.
Além disso, o boi do Maldini está cheio de medo de perder o lugar de vedeta.. por isso nunca mais acaba a carreira!! Pelo menos enquanto eu estiver a jogar, porque ele sente-se ameaçado concerteza."

domingo, dezembro 14, 2008

Divino Manel

Estava a chover e fazia frio quando a Cromos da Bola, SAD entrou em contacto com o nosso laureado treinador Manuel José. Podíamos ter feito umas pipocas e ver um filme do centenário Manoel de Oliveira, mas já tínhamos estragado os tachos todos (como se isso pudesse ser desculpa para não ver um filme do tipo). Então, pensámos noutro grande português… e o nome do Manel veio à baila. Foi só substituir “de Oliveira” por “José”.
Como a SAD não queria correr riscos desnecessários nem sair de casa devido à intempérie, efectuou uma chamada (a pagar no destinatário) e abordou o sempre afável Manel, a nossa lança em África. Fica aqui o registo.

- Manuel José, obrigado pelo seu tempo e disponibilidade para falar connosco. Como vão as coisas aí pelo Cairo?
- As coisas aqui são sempre complicadas. E não apenas por efeito do calor. Sou muito requisitado graças ao meu sucesso. Se eu quero sair à rua, tenho sempre uma legião de fãs que me segue. Agora estou aqui ao telefone e está a haver um motim junto à cabina telefónica. Com cocktails molotov e tudo! Até as burkas das egípcias vão pelo ar! No outro dia, tive uma dor de barriga e estive no WC com mais cerca de 150 egípcios que não me largavam. O que vale é que era um WC espaçoso. E havia papel higiénico. Mas toda esta azáfama dá-me cabo do sistema digestivo.
- É assim tão complicada a pressão da fama?
- É. Mas a pressão nos meus intestinos é ainda mais complicada. Naquele dia não deu para aguentar. Cancelei o treino e tive de pedir à polícia para me arranjar um WC à maneira, mas os tipos eram meus fãs e quase que deitei tudo a perder ainda antes de chegar à retrete… você percebe o que quero dizer?
- Sim, sim… Então você é mesmo uma espécie de Deus?
- Ora essa!... Não, não seria correcto da minha parte afirmar isso.
- Então?
- Sou ainda maior que Deus. Maior que John Lennon. Quero dizer, quem ganha títulos como eu ganho… eu ensinei o futebol a estes gajos! Antes, pensavam que o Abdel-Ghany era o limite! A minha fama é tanta que os egípcios adoram tudo o que é português, no geral. Menos as praias, que de areia estão eles fartos. É tudo mérito do treinador português.
- Incluindo o Manuel Cajuda, certo? Ele também andou por aí.
- Não. Ele não é português. Nunca reparou como ele fala de forma esquisita? Ele é marroquino. E existe muita rivalidade regional entre Marrocos e Egipto. Eles detestam o Cajuda como, aliás, quase todo o mundo. Eu é que sou o protótipo do treinador português. E tudo isto sem bigode, o que tornou tudo ainda mais difícil.
- Já há quem lhe chame “o faraó lusitano”…
- … e já há planos para eu ter uma pirâmide em meu nome.
- A sério?
- A sério. Eles têm lá aquela pirâmide sem nariz, ou lá o que é, e está na altura da renovação. Aquilo está devoluto. A pirâmide de Manelkhamon vai ser a 7ª, 8ª e 9ª maravilha do Mundo em simultâneo. Não é só o CR7 que é bom. Eu sou muito bom. Já lhe disse que sacrificaram mais de 500 mil crocodilos do Nilo em meu tributo? O próprio Nilo já não significa nada para os Egípcios, eu substituí-o na escala de importância.
- Bolas! …
- Eles já não rezam virados para Meca… mas sim para Vila Real de Santo António, a minha terra. Aquilo agora é local de culto. Não pensem que os árabes vão ter às costas do Algarve apenas pelo haxixe.
- Impressionante!
- Espere aí uns cinco minutos… tenho de dar autógrafos à população do Cairo, Alexandria e, com jeito, aos refugiados do Monte Sinai… senão eles imolam-se ou qualquer coisa do género…só um momento, por favor.

- Já está.
-
Já? Tão rápido?
- Tenho uma fotocopiadora portátil sempre comigo. Isso e fotografias autografadas do meu esbelto perfil, que é bem melhor que o dos egípcios clássicos. O meu perfil tem um aspecto… renascentista, sabe?
- E... despachou todos?
- Sim, despacho 2 milhões por minuto e durante o Ramadão, quando eles têm menos resistência, chego aos 3 milhões por minuto. Isto no Egipto é assim. É tudo em grande.
- Bom, e quanto ao futebol português? Como vê a situação actual?
- Olhe, vejo com bastante apreensão…
- Por causa dos escândalos, não é?
- Não, porque estou cada vez pior da vista. Isto a partir dos 50 já não é como era dantes, sabe?
- Não considera trabalhar com Pinto da Costa?
- Não. Eu já nem sequer considero trabalhar. Sou demasiado bom, isso é para os escravos do Baixo Nilo.
- E a Selecção Nacional?
- Acho que já passou o meu tempo… Que horas são?
- Cinco e meia, GMT.
- Pois… Era até às cinco ou não era. Paciência.
- E para quando…
- Já está!
- Já está o quê?
- Acabei de ganhar mais uma competição enquanto estávamos aqui a falar!
- Mas… como?
- Olhe, sou tão bom que nem sei. Não sei mesmo!... Que raio de taça era esta? Bom, ganhámos pela 12ª vez consecutiva, pelo que sei. Vamos ter de parar por aqui esta conversa.
- Pronto… está bem…
- Já está ali uma multidão de egípcios com os camelos e tudo para me vitoriar. São mais de 4 milhões prontos para me abraçar…
- Ena pá!
- … e isto está fraco, o tempo não está grande coisa e os camelos fazem birra… Quando regressar a Portugal, é bom que as autoridades se preparem para receber uns quantos milhões de egípcios – eles não me largam! É incrível a paixão deste povo… e eu ainda com esta dor de barriga…Está a ouvir o ruído?
- Não…
- Pois, este foi de pantufas. Bom, vou abrir a porta. Adeus!

[Um bruá imenso e a chamada foi abaixo.]

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Rei, mas não Mago

José Gaspar nasceu em Santo Tirso, terra de tradições eclesiásticas. Desde cedo lhe foi comunicada a missão em torno da qual iria pautar a sua vida: ir a Belém ter com o Menino Jesus.

- "Mas cuidado, Gaspinho" - diziam - "pois não serás guiado por uma estrela, mas sim por um redondo e circular esférico!"

Porém, o nosso imberbe Gaspar, então desfrutando da sua meninice, parecia mais preocupado com a sua evolução capilar, ou pela falta dela.

- "Mamã, quando é que vou ter idade para deixar crescer uma mosquinha?"
, perguntava.
- "Segue o redondo esférico, Gaspinho. Aí encontrarás as tuas respostas!"

Desta forma, o nosso José - arguto e sagaz, como mais tarde viríamos a saber- decidiu tornar-se em jogador profissional de curling.

Após três anos à procura de uma equipa à qual se pudesse juntar e mais dois a praticar o referido desporto, o seu companheiro nos Saskatchewan Grizzlies, Sillanpää Kivi, informou-o que as pedras com que jogava não eram esféricas. Eram achatadas demais. Gaspar autoflagelou-se brutalmente por não ter verificado o significado da palavra "esférico" antes de decidir fazer dela a sua razão de viver. Azar. Ainda por cima agora que tinha finalmente deixado de ser o gajo da vassoura para amealhar a glória inerente a quem lança a pedrinha.

Logo, o nosso arguto Gaspar - já com idade para sacar uma mosquinha - decidiu mostrar ao mundo que sabia perfeitamente o que era um esférico redondo, e aventurou-se no maravilhoso mundo da bola.
Como primeiro veículo para o transportar na longa viagem até Belém, Gaspar escolheu um clube promissor, contudo ainda longe dos grandes palcos: o CD Trofense.

José demonstrou uma grande capacidade visionária. Todavia, como a equipa da Trofa ainda estava a 15 anos de distância das luzes da ribalta, cedo decidiu em dar o salto para um clube mais religioso: o pio Tirsense da sua terra natal. Lá pensou estar mais perto de concluir a conventual missão que o conduzia pela vida fora.
Mas por muito Nito, Siasia ou Goran que houvesse, Jesus não havia, e Belém nem a via.

Setúbal foi a nova paragem.
- "Sempre estou mais perto de Belém...e se é verdade que não há Jesus, há o bigode do Matias e também o Ayew, que pode fazer de Belchior se necessário for", pensou.

Porém, ainda nem o sadino lugar estava quentinho, e eis que chegou a oportunidade futebolística pela qual todos os jogadores anseiam: o chamamento de um "grande".
Os seus companheiros berravam: "aceita, Zé!", porém o nosso longilíneo amigo não via interesse:

- "É bom para a prática deste desporto a que vocês chamam futebol, mas a mim o que me interessa é cumprir a minha missão: Ir a Belém levar incenso a Jesus."
- "Mas se não fores para o Porto, nunca terás dinheiro para comprar incenso, ó bronco.", retorquiu educadamente o buliçoso Tó Sá.
- "Bem visto."

Por vezes é preciso dar um passo atrás, para dar dois à frente, terá dito Gaspar.
Na invicta abandonou a mosquinha que o acompanhara durante toda a sua carreira, decidindo-se pelo look Abdel-Ghany light, numa tentativa de impôr respeito num balneário repleto de monstros sagrados da posição de defesa-central, como Alejandro Diaz, Lula e J.M. Pinto. Esta compilação de atletas poderia compôr a quadra de centrais de um qualquer Ac. Viseu da vida, porém tratava-se do Tetra-Campeão português.
Felizmente que António Oliveira contava com laterais do calibre de Carlos S. e Buturovic, senão as coisas poderiam ter dado para o torto, mas se algo falhasse havia uma equipa de futsal para manter as redes invioláveis: o kralhista Rui Correia, Eriksson, o jaimador de cerquelhas Taborda, o mítico Costinha e o centenário jovem Hilário. Estávamos em pleno reinado do maior fantasma do futebol nacional, portanto.

Desta forma, os azuis juntaram mais uma dobradinha ao seu palmarés, com Gaspar como figura central do presépio do triunfo. Contudo, apesar de ter tomado um quentinho duche banhado a êxito e cheirinho a enlevo, o nosso sagaz amigo ainda não estava satisfeito. Já tinha o incenso, mas não tinha Jesus. Muito menos Belém.

Mesmo ao lado das Antas, em Leça da Palmeira, não havia Jesus, nem Deus ou Santos que o salvassem, mas existiam pecadores q.b. "Talvez através de uma viagem ao purgatório possa limpar a minha alma de modo a que me deixem aceder aos dourados portões de Belém", concluiu.

Assim sendo, nada melhor que disputar uma época na II Liga sob as ordens de Luís Campos, uma espécie de Armagedão futebolístico embutido num corpo diminuto e de cabeça calva.
Partilhando o verde rectângulo com artistas do calibre de Zé da Rocha, Loinaz, Putnik, Zé Nando, Srdam Slagalo e Dieb, Gaspar concluiu o seu calvário com a coragem e a rectidão dos grandes homens.

"Agora sim, já comi o pão que o Vladan amassou. Estou pronto para levar a cabo a minha missão."

Porém, Jesus não estava a ouvir e Deus estava ocupado a moldar o seu pupilo José Mourinho. Alverca, Paços e Barcelos foram os destinos seguintes deste andarilho do cautchú, sempre descalço de trouxa ao ombro, caminhando ao pôr do sol pelos trilhos do comboio, qual Tom Sawyer com gigantismo ou Lucky Luke sem cavalo.

No entanto, o ano de 2004 sorriu para José, tal qual um Mílton Mendes versão calendário.
Uma chamada telefónica numa língua estranha prometeu-lhe mundos e fundos na paradisíaca localidade de Ajaccio, local de nascimento de Napoleão Bonaparte. Por esta altura Gaspar já estava por tudo. Triste, desiludido e desencantado com a vida, já pusera a sua missão de parte para se concentrar apenas na carreira como pontapeador de esférico.
Amargo, José vingou-se no cabelo. Nenhum vaso capilar resistiu à sua fúria.
Corta, pinta, frisa, desfrisa, bota madeixa, saca madeixa, deixa crescer, volta a desbastar.

Os amigos, preocupados, perguntavam-lhe se estava tudo bem com ele, visto que a sua costumeira bonomia parecia esfarelar com o tempo, como uma boroa de duas semanas no bolso do fato de treino do Jamir. Ajaccio não foi o paraíso esperado, sendo que se tornou em apenas mais um apeadeiro deprimente do comboio das desilusões com destino a parte incerta.

Mas eis que do nada, o redondo esférico mudou radicalmente de rota e seguiu em direcção a casa. A Belém.
As nuvens negras abriram e deram lugar a um sol resplandecente. O orvalho matinal cobria o planeta Gaspar como um manto de prata, pronto a vestir as monárquicas costas do seu Rei-não-Mago (porque mago só há um: Dibo).

Gaspar chegava a Belém.
Feliz como uma criança, José correu (sim, a pé) desde Ajaccio até Lisboa com um Mílton Mendes nos lábios e o vento a soprar cálida mas gentilmente na sua farta cabeleira.
Após três semanas a palmilhar as costas francesas, espanholas e portuguesas, munido apenas com o seu walkman a bombar Divinus e um robe de sarrapilheira, Belém à vista. Finalmente.

- "Oh gentis senhores, podeis dizer-me onde encontrarei Jesus?", perguntou a um funcionário do Restelo. Velho, como convém.
- "A gente temos um coveiro neste momento agora, jovem barbudo. Mas diz que pró ano vem aí Jesus para salvar a gente, ó guedelhudo rapazola."

Sabendo como ninguém que a paciência é a melhor virtude que um andarilho pode exalar neste longo caminho da vida, José Gaspar fez a barba, meteu o incenso no cacifo do balneário e rezou sete Avé Marias, três Pai Nossos e nove Jaculatórias para que o Ahamada não o surripiasse.
- "Uma época passa rápido. Mesmo com José Coveiro ao leme da nau", suspirou.

Confirma-se. Um ano após a sua chegada ao Restelo, o Rei-não-Mago (porque mago só há um: Dibo) Gaspar reunia-se com Jesus em Belém e entregava-lhe o incenso. Jesus - o Jorge - jurava a pés juntos que nunca se iria deitar nas palhinhas, mas Gaspar insistia. Que só lho poderia entregar dessa forma. Jesus recusava, como brioso Homem que sempre foi. Os ânimos aqueciam. Fábio Januário ainda tentou intervir, mas foi tarde demais. José Gaspar arremessou o incenso à experiente testa de Jesus.

- "Está entregue.", afirmou o Rei-não-Mago (porque Mago só há um: Dibo)

A missão cumprida valeu-lhe a paz interior e um ríspido bilhete de regresso ao Norte lusitano, para alinhar no ex-clube de Dibo (o mago, não sei se ja frisei isso), o Rio Ave.
Clube esse que o acolheu como um dos seus, e o exortou a manifestar a sua recém adquirida paz interior com mudanças radicais de putrefacção capilar.

José adoptou um sorriso rasgado, um penteado à Ronny van Es, e uma eclesiástica barba a fazer lembrar tempos idos de uma missão por cumprir.

Disfruta, José. As portas do céu estão escancaradas.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Dicionário da Bola

Possis e Cucs deste mundo Cao, apraz-me anunciar que estamos a fazer História, pois inauguramos neste preciso momento uma nova rubrica.

Uma rubrica que irá abalar o Nuno, a sociedade, e o Nuno Sociedade em simultâneo.

Trata-se do DiciBola, uma ferramenta bastante (in)útil para utilização futura, que visa preencher o nosso pobre léxico ocidental com novas expressões idiomáticas de cariz cromático-boleiro.

Arroto desde já as primeiras que me vieram ao esófago, mas exorto-vos a participar também na caixa de comentários. Juntos poderemos tornar o Mundo num sítio melhor para o Dinda encher o pé.

Posteriormente, iremos arquivar o DiciBola num link na barra lateral. Até lá, forcinha nos dedos é o que vos desejo.

Antes de dar início à lição do professor William, devo apenas frisar que aquela coisinha fixe no topo da barra lateral (a que diz Lugar Anual) é uma forma de poderem seguir melhor - e em primeira Vata - as pútridas incidências deste vosso blog.

Mais que não seja, se vos registardes ali, estareis a encher estes vossos debitadores de inutilidades de carinho.

Show us some love, babes.


OK, segue o DiciBola.

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"Sacar um Celestino": mostrar uma apetência para ajudar o adversário através de um, dois ou sete autogolos num jogo.

Exemplo: "O coitado do Chaves da Catalunha não teria tido a mínima chance, se o SCP não tivesse sacado um duplo celestino da cartola."

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"Lamptadu" ou "Aduptey": ex-futuro Pelé ou Maradona

Exemplo: "O Bolatti foi apadrinhado pelo Maradona. Isso faz dele um Aduptey, ou um simples Paulo Almeida loiro?"

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"Jaimar uma Cerquelha": ter uma monocelha.

Exemplo: "O Febras destacou-se pela sua apetência pelo golo, o seu cheirinho gostoso, o nome chique, e por ter jaimado orgulhosamente uma cerquelha durante anos a fio."

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"Limar um George": voltar da terra de origem depois de umas férias de duas semanas, com mais dois, quinze ou sete anos de idade.

Exemplo: "Ouvi dizer que o Louletano não deixa o Idalécio ir a Alcochete visitar a família com medo que ele lime um george, e volte com 41 anos de idade."

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"Carloscostar": fazer nove ou onze posições em campo com galhardia e brilhantismo.

Exemplo: "Este Tomás Costa, para além de extremamente feio, ainda só não carloscostou as posições de keeper e striker. I'm flabbergasted!"

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"Sacar um Secretário": Assistência para golo reveladora de visão de jogo assombrosa, no que concerne aos avançados adversários.

Exemplo: "O Chaínho ainda deve ter as mãos coladas à calvície, desde o momento em que o Carlos S. sacou um secretário para o Acosta."

(neste caso, estamos perante um duplo sacanço de secretário, dado o acto ter sido cometido pelo próprio Deus que deu o nome à expressão. Extremamente poderoso.)

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"Mawetakwapepatoy": "novo Eusébio" em dialecto benfiquista.

Exemplo: "A Bola" diz que há pelo menos cinco júniores do Benfica com potencial de Mawetakwapepatoy. E eu acredito! - Atenciosamente, Barbas."

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"Kralhismo": filosofia apenas praticada pelos goleiros, que consiste em tratar uma bola cruzada por um adversário, tal como a Lili Caneças trata um pechisbeque.

Exemplo: "O Labrecas demonstrou ser um fervoroso seguidor do kralhismo durante a Final do Euro'04."

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"Idos de Pedro Roma": expressão que designa tempos longínquos.

Exemplo: "Tenho saudades de ver o nosso Belém sagrar-se campeão. Já não levantamos o caneco desde os Idos de Pedro Roma."

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"Stepanar": cometer um penalty imbecil numa jogada pefeitamente inofensiva.

Exemplo: "A bola ia sair pela linha lateral, quando Carciano agarrou Michel Simplício e lhe administrou um subtil peixiggia. Grande penalidade stepanada pelo jogador dos azuis."

(reparem na utilização de dois termos del balón na mesma frase - segue a explicação do segundo.)

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"Peixiggia": termo referente à administração de uma carícia surreptícia a um insuspeito adversário.

Exemplo: ver acima.

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Os Italianos Chamam-lhe "Di Mama"

Mamadi (Di Mama, para os italianos) é um nome que fala por si.
O nome completo até é Mamadi Balde, mas, bem vistas as coisas, é um pouco irrelevante saber se Mamadi mama do balde, do barril ou do bidão. Sabemos apenas que Mamadi mama e isso basta-nos.
Como podemos sintetizar a carreira deste discípulo da verdadeira escola guineense do “kick-and-kick”, aluno predilecto doutro mamão inscrito nos anais da História contemporânea a letras Arial bold, tamanho 12, de seu nome Mamadu Bobó?
Simples. Primeiro, o Sporting de Bissau, a genuína fábrica dos sonhos. Logicamente, seguiu-se o Beneditense, reconhecido viveiro de grandes estrelas cintilantes, onde o seu aspecto de “bola 8” fez furor. O próximo passo nesta abençoada aventura foi o Fátima, o clube terreno que mais próximo está de Deus e onde o seu sorriso malandro serviu como mais uma luzinha de orientação aos peregrinos. Finalmente, Santa Maria da Feira, onde Mamadi vem mamando há já algum tempo.
As tetas preferidas de Mamadi são as tetas do “tackle destemido”, da “simplicidade de processos”, da “grande entrega ao jogo” e a costumeira “jogou a bola e foi o inevitável movimento que fez com que abalroasse o adversário”. Em todas elas Mamadi mama com igual alegria. Todavia, as tetas digladiam-se entre si para receberem os lábios delicados de Mamadi – e gritam-lhe, numa competição feroz: “Mamadi, mama aqui!”, “Mamadi, não mames ali!”, etc., só para não tornar este post num chorrilho de calinadas fáceis.

Para o final, três breves referências sobre o grande mamão da Feira:
1 – Está na Wikipedia, ao contrário do icónico Mamadu Bobó;
2 – A sua relação com a direcção feirense já conheceu alguns momentos vuckceviquianos. Comentando este tema, este famoso escriba também não ficou indiferente ao magnetismo muito particular do nome de Mamadi;
3 – Mamadi já foi alvo de insultos racistas por parte doutras claques – como se pode ver nesta peça. O jornalista classificou este lamentável incidente como… “uma mancha negra”. Poucos conseguiriam ironizar melhor.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

A linha já tem um amante.

Salvé, Peuple de la Balle.

É com a solenidade dos grandes momentos que vos comunicamos a subida de mais um Deus ao Panteão (Olimpo não, que pode dar azar) do balón.
Desfraldem as bandeiras, pois nós gostamos da piada fácil e por vezes brejeira. Aí está ele, no esplendor da sua calva magnitude e alva alma que paira sobre a lateral direita do campo relvado de Zeus.

O lateral-bandeira de uma geração de cromos, careca como o Paco e baladeiro como o Rui, riu-se a bandeiras despregadas dos patéticos perseguidores e respectivas tentativas de colocar a sua bandeira a meia-haste.

Sob a linha da meta, a tenacidade do Fernando obrigou os adversários a acenar com a bandeira branca em sinal de ignóbil rendição perante a evidente superioridade do calvo atleta, prolífico na difícil arte carloscostiana de assinar golos de bandeira.

Que sejas bem vindo, Fernando. Serás a bandeira do nosso onze.
















quem souber a razão do guest starring do Sr. JNPC num episódio de Family Guy, que o diga.

quinta-feira, novembro 27, 2008

O Amor Está No Ar

Este é um pequeno aparte apenas para me inteirar se andam a ver a mesma televisão que eu. Não sei se têm reparado bem no programa da Champions League ou se preferem prestar atenção àquelas coisas supérfluas que são os golos de Messi e os desastres de Caneira, entre outras coisas menores que só distraem o verdadeiro apaniguado do futebol.
Eu noto sobretudo na camisa desabotoada da Inês Gonçalves e no esforço titânico que o pobre António Tadeia desenvolve para continuar a debitar umas palermices sobre sistemas tácticos e jogadores em baixa de forma. Aposto que o Tadeia vai todas as semanas para o estúdio pensando repetidamente “não quero saber qual é a cor do soutien dela, não quero saber qual é a cor do soutien dela, não quero saber qual é a cor do soutien dela, não quero saber qual é a cor do soutien dela”, mas quando dá por ele já está a descair o olhar para a bonita, e provocante, Inês. E ontem até aconteceu uma sensual falha técnica no laptop da Inês que a forçou a dobrar-se perante as câmaras, para aí entre os olés das bancadas de Alvalade e a diplomacia mais que politicamente correcta de Guardiola, algo que deve ter alagado Tadeia de suores frios. Infelizmente, a falha técnica foi demasiado curta para nos permitir dizer com clareza se o soutien era branco ou apenas transparente.
Sugestão para o Tadeia: que pense ou que fale em coisas como o nariz do Kiki, o lado esquerdo da face do Nito, o Luisão como um todo, as costas peludas do Luís Filipe Vieira ou as unhas negras dos pés do Ronny, mas que as interiorize e visualize bem: vai perder logo a vontade toda de mergulhar nos olhos e no regaço da Inês.
Is this love that I'm feeling
Is this the love that I've been searching for
Is this love or am I dreaming
This must be love
'Cos it's really got a hold on me
A hold on me

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os Caça-Fantasmas (revistos)

Ano: 1996.

Facto: Criação do maior fantasma vivo do futebol português.













Pois… Não era bem este. Era mais este que está aqui em baixo à esquerda – abstenham-se das outras distracções, em especial o sujeito de tronco nu que exibe uma compleição física excelente para a prática do berlinde.















Solução: contratar um caça-fantasmas. Ou melhor, dois… não vá a porca torcer o rabo.

Apreciações iniciais do caça-fantasmas #1Popeye Wozniak:









Apesar de não ser o melhor dos cartões de visita, ainda se notava algum optimismo e esperança. Pobres ingénuos.

Apreciações iniciais do caça-fantasmas #2 – Um escandinavo chamado Lars, mas não Ulrich:









Havia uma certa desconfiança logo à partida, o que não augurava nada de bom ao sueco contratado com a missão expressa de eliminar as memórias de Baía. Afinal, estas cadernetas até chegaram a louvar a acutilância ofensiva de Bermúdez e o fino recorte técnico de Glenn Helder

Conclusão: OK, Caça-Fantasmas foi um bom filme, mas isto na vida real é outra coisa.

Não é, Lars?

sexta-feira, novembro 21, 2008

Questões de pilosidade e donuts

Visualizando este anúncio docinho (que deverá ter grosso modo a idade do João Moutinho), saltam-me à vista várias coisas.

A primeira é uma quantidade apreciável de fernandinhos (vulgo perdigotos) vindos da insuspeita boca do Chumbinho, que não se cala por ter sido convocado para o próximo jogo do líder Leixões.

A segunda é a forma como toda a voz-off do anúncio (até perguntarem ao afável senhor de bigode se quer um donut) faz lembrar aqueles graciosos sorteios do totoloto na RTP2: "UM. SETE QUATRO SEIS DOIS UM. CINCO MIL COOOONTOS."

A terceira é a aparição do sempre providencial Augusto Inácio aos 17 segundos do vídeo. Já desconfiava que o repugnante Foolad porventura pagasse em géneros, mas sempre pensei que fosse em fígado de Maki fatiado, e nunca em donuts. Mas estamos sempre a aprender. Pronto, alguns de nós, pelo menos.

A quarta coisinha simpática que me salta à vista é a evolução pilosa do senhor do bigode. Aquele sedoso e compacto capacete castanho faz pendant com o galante e formoso bigode que afirma com vigor: "Sim, sou jovem, mas banho-me em sabedoria com toda a minha portugalidade em jogo."
Porém, o cenário actual é bem mais peçonhento. Como qualquer indivíduo moderno e desempoeirado, o professor decidiu seguir a dantesca tendência contemporânea e trinchar a carismática pilosidade supra labial. Mas as coisas não ficaram por aí, e o destino traiu-o. O destino e também o realizador do mais recente Brasil-Portugal. É que durante o infame desafio, o referido operário televisivo decidiu focar repetidamente as dificuldades capilares do seleccionador nacional, que exibia um vincadíssimo penteado à FC Oporto early 90's, do qual André, Semedo, Magalhães e Bandeirinha eram os mais dignos portadores.

A quinta situação de relevo é a qualidade quasi-nostradâmica que um simples (mas pungente) anúncio de donuts pode revelar.
Senão vejamos:
"Saem dois com leite."
"Um normal."
"Um cortado."
"Outro normal."
"Um duplo."

E depois, o afável senhor do bigode pede "o do costume".

Se - tal como eu - não tinham nada que fazer e contaram a quantidade de donuts pedidos no reclame, fico feliz em partilhar convosco a informação de que foram oito. Oito, "as in" 6+2.

Será que na realidade, tal como no nostradâmico comercial, Augusto Inácio irá seguir as pisadas do afável senhor do bigode, e pedir um donut fresquinho?

Foolad tem mais encanto, na hora da despedida...

P.S.: Aproveito para endereçar um Filgueira ao leitor simõesonov, por nos ter dado a conhecer mais uma pérola youtubiana. E para vos pedir que votem na actual Pollga, pois iremos fechá-la na noite de 21/11 e há 15 gajos empatados. Bem Hajam.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Isto É Classe

Isto é classe. Isto é jogo. Isto é… Joilton!
Ah, Joilton, Joilton… deixaste a tua marca bem vincada na fase dourada do União da Madeira. E nas pernas do Sérgio Lavos também, de tão loucos que eram os treinos da multinacional madeirense.
As opiniões dos seus ex-colegas dividem-se: para Zivanovic, Jokanovic, Dragan, Lepi, Manu, Rodrigão, Jovo e Simic Joilton era um “brgwerky centralovsky” ou “um cara muito legal, jóia meismo”; para o Nelinho era “mais um brazuca”; e Milton Mendes nem sequer se pronunciou, acometido por um usual ataque de riso.
Certo é que Joilton aprendeu a fazer balões à lá Grimi, embora com menor frequência e amplitude, enquanto defendeu as cores auri-celestes do União. Quiçá por ter bebido os ensinamentos inscritos nuns papiros manuscritos encontrados numas escavações efectuadas na zona adjacente aos balneários dos Barreiros – esse estranho local onde subsiste um marcador manual em plena era digital. Papiros que se pensa terem sido escritos por S. Quiñonez e cujo valor é hoje tido como incalculável. Antes disso, Joilton nem sequer distinguia bola do jogador e levava tudo à frente.
Mas como tudo o que é bom tem um fim e “gratidão” é palavra que não costuma figurar nos dicionários de bolso dos jogadores de futebol, Joilton não gostou de estar uma época nas divisões secundárias e não resistiu ao canto de sereia lançado pelo Sp. Espinho para voltar a jogar nos grandes palcos em 1996/97.
E assim o vemos, já com uma técnica que pede meças aos grandes astros futebolísticos. O toque de peito é magistral, a bola quase que pára no ar de tanto deleite e o paradoxal patrocínio do Solverde escrito a vermelho estica-se numa manifestação de regozijo por ser parte activa neste acto de puro prazer técnico.
Joilton evoluíra muito. Pudera: em 1996, o velho futebol português encontrava um novo fôlego em Espinho, consubstanciado em elementos de pura magia lusitana como eram Besirovic, Gilsinei, Cleberton, Lipcsei e Dagoberto. Isso bastou para contagiar positivamente o outrora bruto Joilton. Ele sentia-se em casa, como já se sentira na Madeira. Mais do que Soeiro, Bolinhas ou Bruno Magano, esse pequeno patife em época de debute, cuja língua era mal percebida pelos colegas.

Ao fim de dois bonitos jogos, Joilton fez um exame à sua consciência e tomou uma decisão:
- Ué, gosto muito de dar um toqji dji peito para a foto, mais não será melhó um cara bonito como eu vendê bolinha na praia? Ocê vai vê, áis garota si vão dobrá a meus péis!...
Ou seja, deixou Espinho e foi para Esmoriz, vender bolas de Berlim de qualidade duvidosa para a Barrinha, entrecortando essa actividade com mais uns toques acrobáticos na agremiação local. Foi um sucesso relativo: no futebol, Joilton prosseguiu a sua trajectória ascendente e até conseguiu dar um toque com o ombro na bola (lamentavelmente, foi no início dum treino à noite e o fotógrafo não tinha flash); mas na praia a única grande amizade que conseguiu foi com a D. Adosinda, sexagenária com um bigode um pouco mais saliente que o do Rosado.
A determinada altura, sentiu saudades de dançar o bailinho da Madeira. E também de fugir aos beijos mais que húmidos da D. Adosinda. E lá foi ele de regresso à ilha para uma última época.
Depois disso? Não se sabe bem. Joiton desapareceu dos radares. O seu legado, contudo, permanecerá: depois da mão de Maradona, da cabeça de Jardel e do apito do Paixão, há o peito de Joilton. Também há o peito da ex-mulher do Beto, mas em termos estritamente futebolísticos a peitaça de Joilton ganha. E nem sequer tem silicone.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Vamos Ser Amigos?

Olá!
Gostas de futebol? Adoras brincar ao Football Manager e ao PES e julgas que treinar uma equipa a sério são favas contadas? Não trocas o teu perfume Brut pelo curso de treinador? Então temos tudo para nos darmos bem!
Sou fisicamente robusto, culto e carinhoso e gosto de dizer que a culpa é sempre dos outros. Nos meus melhores dias, já acusei quatro ou cinco entidades diferentes de terem perturbado o meu trabalho (incluindo, em simultâneo, entidades divinas da Grécia antiga e o cão do porteiro que urinou a jante do meu cabriolet).
Sou também extremamente competente e capaz de feitos extraordinários. Por exemplo, assim de repente, consegui levar 4 batatas do Nacional em casa quando estava a treinar o campeão mundial. Nem o Prof. Jesualdo com os dentes mais mal lavados desde os tempos dos saloons texanos conseguiu tal façanha.
Dou-me bem com as crianças e a prova disso foi a galhofa com que as camadas jovens viveram os jogos sob meu comando.
As más-línguas invejosas dizem que sou parecido com o Luís Campos. É mentira. Ele é que quer ser parecido comigo. Mas não vai conseguir, porque já tem grandes e horríveis entradas no cabelo e os fatos Armani caem-lhe mal.
Também fui sindicalista com grande mérito, mas aviso desde já que não contem comigo para manifestações e coisas do género, que tenho o cabeleireiro marcado para as três da tarde e uma sessão de massagens logo a seguir. E também não tenho esmolas para dar, deixei a carteira em casa.
Se servir para alguma coisa, sou sobrinho-neto do Peyroteo. Se não servir, paciência, continuo a ter um aspecto bastante sexy.
Por favor, não te atrases, que o Inverno está a chegar e aqui no Báltico o ventinho corta que é uma coisa parva. Vem rápido antes que se me gretem as mãos.
As respostas devem ser encaminhadas para o e-mail mostcharmingmanager.oftheworld@couceiro.lt
Beijinhos.
Do fofo,

sexta-feira, novembro 07, 2008

Pepitas...de ouro?

Já alguma vez se interrogaram sobre a similaridade entre as bolachas chipmix, o Nuno Afonso, o Gorbatchev e o Amoreirinha?

Pois claro que sim. Pergunta idiota, ou não fosse esse um tema recorrente em cada reunião dos A.A.
Pelo menos foi o que o Mário Jardel nos disse, e desde que o homem começou a usar aqueles tradicionais chapéus da experiência-futebol, que se destacam por ser um misto de trolha, guarda-chuva minimalista de cidadão sénior e olheiro do Beira-Mar, que nós não duvidamos da sua palavra.

A resposta mais corriqueira à questão apresentada é "obviamente que todos têm características típicas de um atleta de alta competição, menos o Nuno Afonso."
Teremos que concordar: é mesmo a abordagem mais lógica, principalmente desde que o ex-titular da Selecção Olímpica de 1996 perdeu uma competição de penalties contra um pacote de Chipmix por 5 a 2. Mas tinha desculpa: eram daquelas com chocolate extra.

















Mas na realidade, a solução para o quebra-cabeças será outra: o factor enjoo.
Comer chipmix em excesso provoca náuseas, o futebol(?)de Amoreirinha é de vómitos, Gorbatchev estava enjoado do comunismo, e diz-se por aí que o Nuno Afonso é extremamente parecido com um Ethan Hawke prestes a regurgitar.

Porém, terei novamente que desenhar uma nota negativa nesta sebenta comparativa.
Parece que - com a euforia típica inerente às breaking news - o noticiário das cinco da manhã na Suazilândia informou o Mundo de que o elemento comparativo entre estes quatro será mesmo o leite. Motins irromperam um pouco por todo o País, grupos de homens insanos por verem o Mundo ruir à sua volta queimaram quintas e florestas, de tocha em punho.
Posters de Amoreirinha - carinhosamente conhecido no País africano pelo seu nome de baptismo, Eurípedes Adão - foram impiedosamente rasgados pelas adolescentes suazilandezas.
"Nós ser traídas por Xaman Eurípedes Adão!Revolta ser demasiada e dor insuportável!"

Mas a realidade está aqui, e terá que ser aceite: a pepita de chocolate que cada um deles exibe orgulhosamente na testa liga extremamente bem com leitinho morno. Palavra de Washington Rodríguez.

Venham Como São

As semelhanças entre Novoselic e Soares Franco não se resumem apenas ao plano físico.
Ambos são igualmente conhecidos pela sua rebeldia: enquanto que Novoselic amassava baixos no final das suas actuações, Soares Franco simulava que comia a sopa, quando na verdade a mandava pelo cano abaixo e com isso recebia as prendinhas todas no Natal.
Também ambos exibem um fascínio especial pela cultura irlandesa: Novoselic aprecia a Guinness, Soares Franco inclina-se mais para o Jameson.
E assim como Novoselic arranha uma língua que poucos compreendem, o croata, Soares Franco fala algumas vezes sem que ninguém o entenda.
As maiores diferenças estão mesmo no campo desportivo: é que dizem que Novoselic é um grande adepto do Sporting.

terça-feira, novembro 04, 2008

O Repouso É Uma Coisa Boa, Mas O Tédio É Seu Irmão

Henri Antchouet, o furacão do Gabão, está de volta.
Bem, não totalmente. Por enquanto, Antchouet nem tempestade tropical é. É que Antchouet, que deixou saudades no Leixões e n’ Os Belenenses, tentou imitar Caniggia e Jardel e… deu-se mal. Ficou suspenso por dois longos anos e precipitou-se assim o fim da estadia deste ex-padeiro no excitante Larissa. Os relvados ficarão para depois.
Paralelamente, a relação aparentemente extra-conjugal que Antchouet mantinha com a femme fatale que pulverizou o seu sonho helénico também se feriu de morte. Antchouet não quer envolver-se com uma pessoa cuja inteligência lhe leva a despejar preciosa cocaína dentro dum copo de bebida. E, pelo sim, pelo não, vai passar a beber aguinha mineral sozinho no WC.
Enfim, decidido a recuperar rapidamente a forma que o notabilizou, Antchouet regressou à fábrica dos sonhos que é o futebol português. E, dentro do amplo leque de opções ao seu dispor, escolheu o melhor de entre os melhores: o LEÇA FC.
Embora admitindo que este não será o seu clube na próxima época, compreendendo que o elevado prestígio do emblema leceiro seria demais para um simples gabonês apanhado no controlo anti-doping, Antchouet vai treinando, agradecido, no espaço que outrora foi de Serifo, snifando a mística do balneário verde-branco. “Snifar” talvez não seja o verbo mais adequado, mas sempre dá um aspecto mais cool do que “inalar”.
A Cromos da Bola, SAD mantém a secreta esperança de ter convencido Antchouet a decidir o seu destino ao ter publicado o épico Tetra Post em honra à glória leceira. E é bem possível: Antchouet está à coca das novas tecnologias e é ele também um blogger, polvilhando aqui e ali um pouco do seu perfume a golo no éter da WorldWide Web. Escrevendo em português, francês e inglês. Podem ver o poliglota Antchouet AQUI e enviar-lhe uma mensagem de força ou algum objecto de valor (uma peça de joalharia seria bem aceite). Mas também podem mandar-lhe outra coisa que julguem relevante, desde que não envolva pó branco. Evitem também mandar-lhe farinha para não forçar comparações embaraçosas.

sábado, novembro 01, 2008

Vela ao Vento

Quem não se lembra de André Carica? Quero dizer, André Carioca? Ou melhor, André Kayak? Isto é, Андрей Каряка?
Pois é, Andrei Karyaka, esse fulgurante… hã… jogador – salvo erro – nascido na Ucrânia e adoptado voluntariamente pela Grande Mãe Rússia. Palmas para ele.

Facundo Quiroga até estremeceu com a estrondosa ovação enquanto preparava o seu rodízio numa rústica paisagem argentina: “¿Quién? Sí, como podría olvidarlo – ¡ese chico es muy precioso! Me encantarán sus goles. O mejor, su gol”. Mas Lucas Mareque, sempre mais lesto a prender o cabelo do que a perceber que o futebol é um jogo em que é permitido utilizar os dois pés para endossar o esférico, tratou logo de emendar o distraído colega: “Pero… ¿que goles, coño? ¡Ese tío fue la nueva Lady Di del fútbol portugués!”
E por muito que nos custe admitir, Mareque até tinha razão.

Karyaka sempre vivera naquele grande fausto que era a antiga URSS. Para quem não se lembra, havia por lá tudo do bom e do melhor. Todos eram príncipes e princesas no conto de fadas soviético que ia de Kalingrado a Vladivostok. Ele era prosperidade, rublos a transbordar dos bolsos, carros de luxo, viagens de sonho pelos alvos campos da Sibéria, iguarias do requinte do caviar distribuídas às pazadas pelos robustos trabalhadores metalúrgicos, alegria e prazer a rodos, etc.. Tudo à grande e à russa, tudo desde que o stock de vodka continuasse lá por cima. O futebol era somente mais um passatempo diletante.

E quando o venturoso Andrei recebeu o convite do clube da (até então) corajosa águia Vitória, nem pensou duas vezes:
- Vou sair do maior país do mundo para ir para o melhor clube do mundo: parece-me justo.
Mas, fatalmente, Karyaka havia sido vítima de publicidade enganosa.

A vida em Lisboa revelar-se-ia dura e difícil. Aguentar as dolorosas condições do quotidiano lisboeta do início do século XXI não era exequível nem sequer para quem tivesse resistido ao desastre de Chernobyl. Para mais, partilhando os balneários com gente diabólica da laia de Manduca ou Laurent Robert.

Foi um choque. Cedo se apercebeu que afinal o Benfica e Castelo Branco de Lisboa não era o Spartak da Luz que julgava vir encontrar. Mas o pior era a cidade em si, autêntico pardieiro devastado e sem lei, onde minas e armadilhas se escondiam em cada lomba da 2ª Circular. “Portugal é um país atrasado. Penso que Lisboa está 20 anos atrás de Moscovo. É uma aldeia grande”, referiu o desgostoso Andrei, abrindo o coração para os sempre quentes e afáveis compatriotas. E estava a utilizar toda a sua refinada diplomacia.

Andrei não conseguia render o esperado. Como podia? Ia ao WC, ou seja, urinar no Tejo, e, mal voltava as costas, já estava a mandar abaixo aquela construção de fósforos que era a Ponte 25 de Abril com o cotovelo. Cuspia para o chão e provocava uma catastrófica inundação de Sete Rios ao Campo Grande. Queria o esplendor dos grandes bazares russos mas o máximo que tinha era meia-dúzia de retrosarias e leitarias de aspecto familiar – e a mais tradicional de todas era justamente aquela que tinha ao pé do seu estádio. Saía à rua para passear tranquilamente e era todo um exército de mendigos, maltrapilhos e Missés-Missés a agarrarem-no e a pedirem-lhe algo, uma moeda, um autógrafo ou um pequeno ar de modernidade. Espirrou uma vez e com isso riscou a Feira Popular do mapa. Tanta exiguidade exasperava-lhe.

Tanto que confessou: “Não há lugar para as crianças brincarem na rua”. Oh!, as crianças não têm espaço! Grave burburinho se levantou. Um Monsanto não chegava – dois ou três miúdos enchiam aquilo tudo, inutilizando o que encontrassem pela frente em menos de nada; que saudades dos grandes parques temáticos e super-divertidos da glamourosa Moscovo! O que seria feito das crianças? Pobres crianças.
Estava explicado o porquê da sua distância durante os jogos. Era o bem-estar das crianças. Não tinha nada a ver com falta de habilidade. E este é um álibi mais efectivo do que muitos poderiam pensar. Por exemplo, é comum jogadores que vêem um miúdo a chorar na bancada perderem a vontade de jogar. Pelo menos, foi o que eu ouvi o Lito Vidigal dizer.
Andrei sofria pelas crianças, sofria com as crianças, fazia sofrer o treinador e os adeptos pelo seu sofrimento, mantinha uma relação afastada com a bola e o mal-estar exponenciava-se. Nascia um mártir.

Estava bom de ver que o cosmopolita e gigante Karyaka não podia ficar por cá muito mais tempo, desperdiçando o seu talento oculto. A UNICEF veio em seu auxílio e atribuiu-lhe o estatuto de embaixador. E Karyaka abandonou este cantinho apertado e inseguro com a sua prole faminta de espaço para um clube adequado às suas ambições: o FC Saturn. Saturno, esse sim, um planeta com a dimensão certa para Karyaka.

As crianças que por cá permaneceram neste cubículo atroz ficaram tristes. Mas por pouco tempo. Miguel Floribella Veloso estava a dar os primeiros passos nos tapetes lusos, despertando uma magnetização crescente junto dos garotos deslumbrados com o aspecto feérico da sua cabeleira. Porém, o primeiro grande humanista que se designava futebolista já tinha deixado a sua marca: Karyaka – a Lady Di do futebol português.

Estiveste mesmo bem, Mareque. Que pena só ter sido desta vez.
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